quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Sobre a felicidade

Hoje minha mãe me perguntou se eu sou feliz e eu respondi: "Sou. Pelo menos na maior parte do tempo eu sou feliz".

 Não sei, mas algo nessa simples pergunta me fez rever meus conceitos de felicidade e me fez pensar sobre as coisas atualmente. Se me perguntassem no início do ano passado ou há dois anos atrás eu diria, sem dúvida, que eu era feliz, porque eu tinha todas as coisas que podia fazer alguém feliz, sobretudo eu tinha a ignorância.

Há dois anos atrás as coisas que me faziam feliz eram fáceis, eram reais, eram sem valor, pelo menos na época. Há dois anos eu pensava que tinha o mundo todo na minha mão, que eu tinha tudo que as pessoas sempre sonharam. Não falo aqui em dinheiro, mas em sentimentos, em sonhos. Todos os meus sonhos tinham se realizado e eu tinha uma pessoa muito importante que jurou nunca me esquecer. Mas assim como os sonhos, os juramentos mudam e podem ser esquecidos.

As coisas mudam e veio aquela velha e conhecida coisa chamada tempo. O tempo mudou tudo aquilo que me fazia feliz, virou tudo de cabeça para baixo, sacudiu meu mundo e foi embora rindo do caos. Por um curto período de tempo eu não fui feliz. Por um curto período de tempo eu não soube o que era sorrir e minha mente se distanciava do mundo à medida que meu coração enferrujava. Tudo era monótono, cinza, tudo paracia reflexos distantes de um mundo que não era meu.

Mas as coisas mudam, e de vez em nunca mudam para melhor. Então fui redescobrindo aos poucos o que era sorrir e como ser feliz. Descobri mais coisas no curto periodo de tristeza do que em todos os livros que eu li. Porque a felicidade é belíssima, mas a tristeza ensina mais. É descobrir coisas que antes passavam despercebidas.

É descobrir que a felicidade só é conseguida depois de muitas dificuldades, e descobrir que a felicidade é rara de se encontrar e que não vale a pena procurar por ela, porque ela só vem sem aviso, quando você menos espera. É descobrir que ser feliz não é só sorrir, pode ser chorar também. É descobrir a felicidade em um sonho e compartilhar esse sonho com mais três amigos. É a descoberta que fazer alguém feliz pode lhe fazer feliz também, ou te fazer triste. É ser triste para ver sua amiga sendo feliz realizando o seu sonho que tamém é o sonho dela, é abandonar sua alegria para felicidade de quem você ama e sofrer por isso.

Felicidade pode ser uma visita às duas da manhã, uma mensagem, um beijo. Felicidade pode ser dançar por cima do caos, correr sem destino de mãos dadas com alguém ou o silêncio do "estar só". Felicidade pode ser um plural, um coletivo ou só um singular, pode ser ímpar ou infito. Felicidade é o grande abismo do desconhecido, é trotar em um dragão da independência no deserto. É ser você mesmo ou todos que puder. Felicidade pode ser chorar desesperadamente por absolutamente nada, rir pelo mesmo motivo, ou sem ele.

Minha mãe diz que eu me isolo do mundo, que às vezes eu pareço triste e distânte, afogada em pensamentos. Será que ser feliz também pode ser criar um mundo próprio dentro da cabeça?

A linha que separa a felicidade da loucura é tão tênue, que às vezes eu salto de uma lado para o outro e me perco.

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