E afinal de contas, o que ganhamos com tudo isso? Quero dizer, o que ganhamos com essa história de vida? Algumas pessoas ganham o verdadeiro amor, outras ganham boas histórias, outros ganham marcas e lembranças, alguns ganham verdadeiras amizades, outros grandes decepções, outros tantos ganham a desejada felicidade, mas procuram tanto ela que não a veem quando ela está diante deles e a deixam passar como se nada fosse.
Às vezes me pergunto quando que vou, finalmente, achar o meu final feliz, outras vezes eu penso que não bastam fins felizes, eu quero histórias felizes. Algumas vezes me pergunto "como" viver, mas percebo que o que importa não é "como" é "para o quê" viver. Ou se vive por algo ou se morre sem sentido, a coisa vai mais ou menos por ai. Às vezes acho que o sistema e a sociedade não nos dão alternativas a não ser seguí-los mas na verdade cada um segue o seu caminho, cada um pode inventar caminhos novos, inove! Sempre há tempo para mudanças, sempre a tempo para fazer o que você quer fazer! Não se preocupe tanto com a vida, não se preocupe com o futuro, as coisas são bastantes simples, porém nós complicamos. Os seres humanos sempre complicam tudo, confudem tudo.
Sabe, neste instante existem milhões de pessoas no mundo esperando para ser feliz, esperando a morte, esperando Deus aparecer e como num passe de mágica livrá-las de tudo. Existem bilhões de pessoas no mundo chorando de alegria neste momento, outros tantos bilhões sofrendo, outros, talvez até mais, bilhões de pessoas estejam se sufocando na ansiedade do amanhã, de fazer algo novo, algo bizarro. Existem milhões de pessoas se calando e outros tantos gritando contra o sistema. Neste instante existe uma festa na cadeia e um jovem morto na avenida paulista. Neste instante você está pensando em asneiras e pessoas estão morrendo. Neste instante que eu escrevo isto existem um grito surdo de Deus para acordar o mundo tranpassando em seus tímpanos.
Sabe-se que as coisas nem sempre acontecem como nós queremos, as situações e alegrias nem sempre são nossas, afinal, não podemos vencer todas as batalhas e ganhar todos os prêmios! Muitas vezes temos de cedê-los por motivos de força maior, ou para as pessoas que amamos, é inevitavel. De que adianta ganhar a batalha se todos os outros morreram lutando contra ou por você? A vida pode ser uma guerra ou apenas um sonho, ou talvez, até um circo, onde algumas vezes temos de ser platéia, outras palhaços e outras até o apresentador. Se me perguntarem eu prefiro ser o palhaço e ver graça em tudo, rir dessa coisa toda chamada vida.
Bunda de velha
sábado, 4 de dezembro de 2010
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Sobre a loucura
A gente se esforça tanto para ser perfeito, para parecermos normais passamos tanto tempo insistindo nisso que acabamos surtando um pouco com essas coisas. Queremos notas perfeitas, aparência perfeita, amigos perfeitos, sem saber que é perfeição é uma forma sutil da loucura. A loucura é sublime, é quase divina.Só os loucos e as crianças são realmente felizes.Talvez a loucura seja fechar os olhos diariamente e fingir que o mundo é perfeito. Talvez os loucos sejam apenas sonhadores ou esperançosos, ou talvez sejam apenas malucos mesmo. A loucura é quando passamos a pensar "pouco importa que essa gente vá falar mal." e ai passamos a ser quem quisermos, não necessariamente quem realmente somos, porque às vezes é tão chato ser só um.
E, talvez, aquilo que chamamos de loucura é o que faríamos se não tivéssemos vergonha. Condenamos a loucura porque ela é uma imensa alegria que grande parte das pessoas tem medo de experimentar. A loucura pode assustar um pouco, pode ser engraçada ou bem estranha, mas a loucura está dentro de todos. E de repente você se encontra dançando sozinho no meio da rua.
Ser louco não é tão ruim. Você pode sorrir às quatro da manhã sozinho, pode correr sem razão, ou gritar ofensas ao mundo sem lhe questionarem muito. Ser louco é liberar-se de mazelas, é ser um palhaço no caos, é matar todas as coisas ruins do mundo na cabeça. A loucura é um estado de suprema felicidade.
Talvez ser louco seja apenas ser mais humano que muitas pessoas. Porque ser louco é como ser um humano normal, mas com uma superlente de aumento sobre você, destacando seus atos e seus defeitos que passam despercebidos em todas as outras pessoas.
Infelizmente minha relativa lucidez não me permite ser totalmente feliz.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Sobre a arte
O meu maior sonho é mudar o mundo através da arte. Desde pequena sonhava em atuar, em está em cima de um palco falando textos e fingindo ser uma pessoa diferente, talvez até melhor. Sonhava em ser mil e um personagens, em ter um milhão de histórias e ficar na memória de zilhões de pessoas.
Sempre quis ser artista, achava que assim poderia fazer as pessoas repenssarem sobre seus atos, sobre suas atitudes. Sempre achei que poderia mudar o mundo e as pessoas com as palavras que não são minhas, mas sairiam de minha boca de uma forma convincente,como se eu as tivesse criado.
O que eu queria mesmo era poder ser todas as pessoas do mundo, porque assim eu as entenderia. Sempre acreditei na arte como a maior arma contra as injustiças, e como o meio de mundanças sociais mais eficaz. Porque a arte é onde você pode se expressar das mais variadas formas, é quando você libera os demônios que existem em você e libera Deus também. A arte é sublime.
A arte consiste em um momento de inspiração, em uma coisa surreal, a arte é esquisitice, é estranha. A arte é o se jogar no palco de cara limpa e criar uma vida com duração de um espetáculo e fazer isso diariamente. Arte é esquecer do "eu" e ser o máximo de pessoas que puder. Quer saber? Arte não se explica, arte se sente.
Acho que a arte é um dom. Poucas pessoas sabem compreender a arte, apreciá-la. Porque a arte é confusa. O belo da arte é que por mais que seja confusa parece simples. Porque quando se dança, atua ou toca não se faz isso só com o corpo, mas também com a alma. Acredito que a arte é uma extensão da alma. Na arte deixamos de pensar e sentimos, agimos pelas emoções, sentimentos e deixamos de lado a razão.
A arte é onde podemos ser realmente livres. Toda artista é condenado à liberdade.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Sobre a felicidade
Hoje minha mãe me perguntou se eu sou feliz e eu respondi: "Sou. Pelo menos na maior parte do tempo eu sou feliz".
Não sei, mas algo nessa simples pergunta me fez rever meus conceitos de felicidade e me fez pensar sobre as coisas atualmente. Se me perguntassem no início do ano passado ou há dois anos atrás eu diria, sem dúvida, que eu era feliz, porque eu tinha todas as coisas que podia fazer alguém feliz, sobretudo eu tinha a ignorância.
Há dois anos atrás as coisas que me faziam feliz eram fáceis, eram reais, eram sem valor, pelo menos na época. Há dois anos eu pensava que tinha o mundo todo na minha mão, que eu tinha tudo que as pessoas sempre sonharam. Não falo aqui em dinheiro, mas em sentimentos, em sonhos. Todos os meus sonhos tinham se realizado e eu tinha uma pessoa muito importante que jurou nunca me esquecer. Mas assim como os sonhos, os juramentos mudam e podem ser esquecidos.
As coisas mudam e veio aquela velha e conhecida coisa chamada tempo. O tempo mudou tudo aquilo que me fazia feliz, virou tudo de cabeça para baixo, sacudiu meu mundo e foi embora rindo do caos. Por um curto período de tempo eu não fui feliz. Por um curto período de tempo eu não soube o que era sorrir e minha mente se distanciava do mundo à medida que meu coração enferrujava. Tudo era monótono, cinza, tudo paracia reflexos distantes de um mundo que não era meu.
Mas as coisas mudam, e de vez em nunca mudam para melhor. Então fui redescobrindo aos poucos o que era sorrir e como ser feliz. Descobri mais coisas no curto periodo de tristeza do que em todos os livros que eu li. Porque a felicidade é belíssima, mas a tristeza ensina mais. É descobrir coisas que antes passavam despercebidas.
É descobrir que a felicidade só é conseguida depois de muitas dificuldades, e descobrir que a felicidade é rara de se encontrar e que não vale a pena procurar por ela, porque ela só vem sem aviso, quando você menos espera. É descobrir que ser feliz não é só sorrir, pode ser chorar também. É descobrir a felicidade em um sonho e compartilhar esse sonho com mais três amigos. É a descoberta que fazer alguém feliz pode lhe fazer feliz também, ou te fazer triste. É ser triste para ver sua amiga sendo feliz realizando o seu sonho que tamém é o sonho dela, é abandonar sua alegria para felicidade de quem você ama e sofrer por isso.
Felicidade pode ser uma visita às duas da manhã, uma mensagem, um beijo. Felicidade pode ser dançar por cima do caos, correr sem destino de mãos dadas com alguém ou o silêncio do "estar só". Felicidade pode ser um plural, um coletivo ou só um singular, pode ser ímpar ou infito. Felicidade é o grande abismo do desconhecido, é trotar em um dragão da independência no deserto. É ser você mesmo ou todos que puder. Felicidade pode ser chorar desesperadamente por absolutamente nada, rir pelo mesmo motivo, ou sem ele.
Minha mãe diz que eu me isolo do mundo, que às vezes eu pareço triste e distânte, afogada em pensamentos. Será que ser feliz também pode ser criar um mundo próprio dentro da cabeça?
A linha que separa a felicidade da loucura é tão tênue, que às vezes eu salto de uma lado para o outro e me perco.
Não sei, mas algo nessa simples pergunta me fez rever meus conceitos de felicidade e me fez pensar sobre as coisas atualmente. Se me perguntassem no início do ano passado ou há dois anos atrás eu diria, sem dúvida, que eu era feliz, porque eu tinha todas as coisas que podia fazer alguém feliz, sobretudo eu tinha a ignorância.
Há dois anos atrás as coisas que me faziam feliz eram fáceis, eram reais, eram sem valor, pelo menos na época. Há dois anos eu pensava que tinha o mundo todo na minha mão, que eu tinha tudo que as pessoas sempre sonharam. Não falo aqui em dinheiro, mas em sentimentos, em sonhos. Todos os meus sonhos tinham se realizado e eu tinha uma pessoa muito importante que jurou nunca me esquecer. Mas assim como os sonhos, os juramentos mudam e podem ser esquecidos.
As coisas mudam e veio aquela velha e conhecida coisa chamada tempo. O tempo mudou tudo aquilo que me fazia feliz, virou tudo de cabeça para baixo, sacudiu meu mundo e foi embora rindo do caos. Por um curto período de tempo eu não fui feliz. Por um curto período de tempo eu não soube o que era sorrir e minha mente se distanciava do mundo à medida que meu coração enferrujava. Tudo era monótono, cinza, tudo paracia reflexos distantes de um mundo que não era meu.
Mas as coisas mudam, e de vez em nunca mudam para melhor. Então fui redescobrindo aos poucos o que era sorrir e como ser feliz. Descobri mais coisas no curto periodo de tristeza do que em todos os livros que eu li. Porque a felicidade é belíssima, mas a tristeza ensina mais. É descobrir coisas que antes passavam despercebidas.
É descobrir que a felicidade só é conseguida depois de muitas dificuldades, e descobrir que a felicidade é rara de se encontrar e que não vale a pena procurar por ela, porque ela só vem sem aviso, quando você menos espera. É descobrir que ser feliz não é só sorrir, pode ser chorar também. É descobrir a felicidade em um sonho e compartilhar esse sonho com mais três amigos. É a descoberta que fazer alguém feliz pode lhe fazer feliz também, ou te fazer triste. É ser triste para ver sua amiga sendo feliz realizando o seu sonho que tamém é o sonho dela, é abandonar sua alegria para felicidade de quem você ama e sofrer por isso.
Felicidade pode ser uma visita às duas da manhã, uma mensagem, um beijo. Felicidade pode ser dançar por cima do caos, correr sem destino de mãos dadas com alguém ou o silêncio do "estar só". Felicidade pode ser um plural, um coletivo ou só um singular, pode ser ímpar ou infito. Felicidade é o grande abismo do desconhecido, é trotar em um dragão da independência no deserto. É ser você mesmo ou todos que puder. Felicidade pode ser chorar desesperadamente por absolutamente nada, rir pelo mesmo motivo, ou sem ele.
Minha mãe diz que eu me isolo do mundo, que às vezes eu pareço triste e distânte, afogada em pensamentos. Será que ser feliz também pode ser criar um mundo próprio dentro da cabeça?
A linha que separa a felicidade da loucura é tão tênue, que às vezes eu salto de uma lado para o outro e me perco.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Sobre hoje
Hoje acordei pensando nas mil e uma possibilidades que cada dia nos trás. Talvez hoje seja um bom dia para você sorrir para um mendigo, ajudar uma velhinha a atravessar a rua, perder todo seu dinheiro ou perder seu tempo procurando um grande amor. Hoje pode ser o dia das grandes ações ou das pequenas mudanças que implicam nessas grandes ações.
A gente pensa tanto no que não fizemos ontem e no que faremos amanhã que esquecemos de viver o hoje. Talvez hoje fosse o dia que você ia falar, que ia conseguir dizer aquilo que pensa, talvez, hoje, você conseguisse mudar a vida de alguém, ou a sua mesmo, mas o hoje passou e você não viveu nada disso. Amanhã você acordará pensando em porque não fez essas coisas e essas coisas ficarão só no "talvez se...".
Acho que uma das piores coisas que existe é o "Talvez se...", por causa dele nos massacramos e torturamos nossos pensamentos, ficamos dependentes dele. É como se todos os nossos pensamentos se agarrassem a coisas que deixamos de fazer e que de alguma maneira, mesmo que remota. poderiam ter mudado o dia de hoje, como aquela proposta de emprego, o jantar que você não compareceu, a visita a sua tia que está grávida ou ir àquela festa que parecia ser um pé no saco. Todas essas coisas com que perdemos horas pensando e que nos fazem perder horas úteis de nossas vidas, isso é terrorismo psicológico.
O amanhã pode nem chegar e a gente se preocupa tanto com ele. Perdemos o hoje criando planos para um futuro distante e incerto. Perdemos nosso tempo com incertezas e sofremos previamente por coisas que podem nem acontecer. Colocamos barreias em coisas que, ainda, nem existem. Perdemos 24 horas projetando coisas que poderão acontecer daqui a dez, vinte anos. Não gosto muito de pensar no amanhã, ele pode não cehgar e prefiro não pensar nisso. O amanhã é incerto demais para os planos.
Ontem pode ter sido o pior dia de nossas vidas, mas hoje podemos recomeçar tudo de novo. Como se fosse um livro em branco a ser escrito. Hoje é o dia de fazer as coisas mais improváveis do mundo, fazer tudo que você puder e a lei permitir. Hoje é um bom dia para sonhar, viver, sorrir, xingar. Sair pelas ruas e gritar vociferações e cantigas de roda. Hoje é um bom dia para rever amigos, ir a funerais, rezar. Hoje é um bom dia para falar com Deus, cometer todos os pecados e praticar boas ações. Hoje é um bom dia para ler jonais, a bíblia, revistas de fofocas ou livros de ficção.
Hoje é um bom dia para morrer.
Faça isso ao fim do dia, antes de dormir, para amanhã você ser outra pessoa e criar outra vida de 24 horas.
A gente pensa tanto no que não fizemos ontem e no que faremos amanhã que esquecemos de viver o hoje. Talvez hoje fosse o dia que você ia falar, que ia conseguir dizer aquilo que pensa, talvez, hoje, você conseguisse mudar a vida de alguém, ou a sua mesmo, mas o hoje passou e você não viveu nada disso. Amanhã você acordará pensando em porque não fez essas coisas e essas coisas ficarão só no "talvez se...".
Acho que uma das piores coisas que existe é o "Talvez se...", por causa dele nos massacramos e torturamos nossos pensamentos, ficamos dependentes dele. É como se todos os nossos pensamentos se agarrassem a coisas que deixamos de fazer e que de alguma maneira, mesmo que remota. poderiam ter mudado o dia de hoje, como aquela proposta de emprego, o jantar que você não compareceu, a visita a sua tia que está grávida ou ir àquela festa que parecia ser um pé no saco. Todas essas coisas com que perdemos horas pensando e que nos fazem perder horas úteis de nossas vidas, isso é terrorismo psicológico.
O amanhã pode nem chegar e a gente se preocupa tanto com ele. Perdemos o hoje criando planos para um futuro distante e incerto. Perdemos nosso tempo com incertezas e sofremos previamente por coisas que podem nem acontecer. Colocamos barreias em coisas que, ainda, nem existem. Perdemos 24 horas projetando coisas que poderão acontecer daqui a dez, vinte anos. Não gosto muito de pensar no amanhã, ele pode não cehgar e prefiro não pensar nisso. O amanhã é incerto demais para os planos.
Ontem pode ter sido o pior dia de nossas vidas, mas hoje podemos recomeçar tudo de novo. Como se fosse um livro em branco a ser escrito. Hoje é o dia de fazer as coisas mais improváveis do mundo, fazer tudo que você puder e a lei permitir. Hoje é um bom dia para sonhar, viver, sorrir, xingar. Sair pelas ruas e gritar vociferações e cantigas de roda. Hoje é um bom dia para rever amigos, ir a funerais, rezar. Hoje é um bom dia para falar com Deus, cometer todos os pecados e praticar boas ações. Hoje é um bom dia para ler jonais, a bíblia, revistas de fofocas ou livros de ficção.
Hoje é um bom dia para morrer.
Faça isso ao fim do dia, antes de dormir, para amanhã você ser outra pessoa e criar outra vida de 24 horas.
domingo, 24 de outubro de 2010
Aquilo que se fala antes de começar qualquer coisa
Eu me chamo Fernanda. Mas podem me chamar de Danda, Nanda, Fê, Pão doce, gorda, Sorriso... Enfim, podem me chamar como quiser, podem me chamar por apelidos carinhosos, ou nomes feios, mas eu prefiro a primeira opção, entretanto isso fica a seu critério. Eu gosto das pessoas, gosto muito delas. Gosto do cheiro das pessoas, como cada uma tem o seu jeito, gosto do modo estranho como cada pessoa anda, fala, come, percebe as coisas. Eu gosto de conhecer pessoas e saber da vida delas, das histórias pessoais, eu tenho fome por conhecimento das pessoas. Eu tenho medo das pessoas. Tenho medo da crueldade e da forma como elas tratam os outros, tratam como se fosse lixo. Tenho medo do que as pessoas fazem com o mundo, tenho medo do que as pessoas farão a si mesmas. Acho que no futuro voltaremos ao canibalismo, se já não houvermos voltado. Eu gosto da solidão. Sinto um enorme prazer em estar só. Tão só que nem eu mesma me vejo, ou me escuto. Eu gosto da beleza da solidão, gosto da forma como ela faz com que nos enxerguemos melhor, gosto da forma como a solidão esclarece as coisas, mas não gosto do vazio proporcionado por ela.
Certas vezes eu assusto a mim mesma, outras vezes eu me faço rir, e nesse intervalo entre o riso e o espanto há uma breve tristeza, mas bem breve. Eu tenho mudanças repentinas de humor. Eu sou uma criança, ou talvez eu seja uma velha, ou talvez em seja ambas as coisas na cabeça de uma jovem, ou talvez não seja nada disso. Eu sou confusa demais, ou talvez eu saiba exatamente o que eu quero, mas me falte coragem para dizê-lo, talvez eu só goste de dizer “ou talvez...” porque a incerteza é ao mesmo tempo bela e chata. Eu gosto de coisas que são vistas de formas diferentes ao mesmo tempo.
Eu gosto de achar coisas onde não tem. Eu vejo graça onde não tem, eu vejo beleza onde não tem, eu vejo alegria onde só há tristeza, eu vejo coisas ruins também onde absolutamente não tem. Eu acho que me preocupo demais com o mundo e tudo mais, acho que nasci na época errada, ou talvez não, mas eu não me sinto como as pessoas desse tempo, na verdade, acho todas acomodadas demais, acho que sou meio revolucionária. Ou talvez seja sonhadora demais. Na verdade, sou ambas as coisas.
Eu gosto de sorrisos, de brincadeiras, de comida, de chocolate. Gosto do mundo, do verde, da cor azul, do céu. Gosto da idéia do céu, que todas as pessoas vão para lá, gosto daquela idéia que Deus mora lá, e dos portões de ouro, é gosto muito. Eu gosto de amigos, gosto do sol, gosto de como os olhos queimam quando olham para ele por muito tempo, eu gosto da lua, da chuva, do medo. O medo é bom, mostra que somos humanos, o ruim é o medo do medo. Eu gosto de livros, gosto de histórias, gosto de inventar histórias, gosto do amor, é no fundo, no fundo, eu gosto do amor. Eu gosto da idéia de conhecer uma pessoa como se ela fosse você, gosto da idéia de que o amor nunca vai acabar e gosto especialmente das bobagens vindas com o amor. O amor nos torna patéticos, e eu gosto disso, gosto de ver as pessoas com os olhos brilhando por conta do amor, gosto de poder ouvir o coração delas ao ouvir o nome do amor. Não gosto disso tudo pra mim, na verdade eu tenho medo, eu acho.Eu não gosto de programas de auditório, de sons de ronco, não gosto de quem conta o fim do filme, eu não gosto de pessoas idiotas. Pessoas idiotas me estressam e dão raiva. Eu não gosto de pessoas grandes, porque sou baixinha, e não gosto de pessoas que explicam tudo, eu não gosto de explicações demoradas e histórias sem fim. Eu odeio a futilidade e a grosseria, eu às vezes sou grossa. Odeio a ignorância e não odeio a estupidez, a estupidez está em tudo.
Eu falo demais, eu riu demais, eu finjo demais, eu não sou tão feliz assim. Talvez eu seja até bem triste, ou talvez eu saiba fazer com que minha tristeza seja escondida, eu sei pintar as partes feias, fazer reajustes e deixar ela bem bonita, como se fosse a felicidade. Mas isso é apenas um talvez, como quase tudo que eu digo. Ou talvez não.
Sobre depois
Então é assim? Tanta vida, tanta coisa porque viver e de repente... Nada. Acabou, se você acreditar na existência de um ser superior, você pode aproveitara vida eterna ao lado Dele e se não crer na idéia do céu, inferno e purgatório, acaba ali. Durante a vida você pode ter feito milhões de coisas algumas que lhe agradam e outras não, mas agora isso não importa. Todas as mensagens que lhe enviaram e que você não abriu jamais serão lidas, todas as promessas feitas não tem nenhum valor, todos os telefonemas perdidos nunca vão ser retornados, todo o estresse chegou ao fim. Nunca mais brigas, nunca mais o estresse de levar os filhos à escola, ou da prova que seria amanhã, nunca mais estudo, nunca mais a matemática, nunca mais as gritarias das pessoas. Nunca mais as pessoas. Nunca mais aquele trânsito de enlouquecer, a pressão, o medo, nunca mais a comida ruim, nunca mais a fome, a miséria, a pobreza.Não existe mais o medo de se mostrar, não existe a vergonha. Vergonha do que? Agora não existe ninguém pra lhe apontar os defeitos, as coisas ruins que você faz e como faz. Então você é tudo aquilo que realmente é ou que queria ser, mas o é para ninguém. Então você pensa: Por que eu não liguei mais cedo? Por que eu não disse o que queria? Por que eu enganava a mim mesmo? Por que...? Por que? Por que? Mas ninguém lhe responde, porque, para falar a verdade, não há ninguém.
Se você acredita em Deus, você vai chegar ao céu, entrar pelos portões de ouro e ver aqueles que você ama e que lhe amaram e estavam lá só esperando por você. Mas e se não houver ninguém esperando por você? E se você nunca amou ninguém? Se você era ocupado demais para o amor? Se você era ocupado demais para reparar nas pessoas e só via o seu trabalho? E se você nunca reparou aquele alguém que te amava? E se você sempre foi ocupado demais para reparar no mundo? E se...?
Antes de sair sua irmã, sua mãe ou seu pai lhe pediu um abraço ou um beijo e você disse que estava ocupado demais, atrasado demais. Você sempre teve medo de dizer que amava. Você sempre teve medo de mostrar seus sentimentos. Você sempre amou escondido. Você nunca quis se arriscar demais. E nunca teve tempo de ouvir os outros. Sempre focou aonde queria chegar, o que queria ser e sempre sonhou em dar melhores condições pra sua família e isso lhe ocupou muito tempo, você sempre foi esforçado para conseguir isso e gastou muito tempo, era muito trabalho, você estudou sua vida toda pra isso não é mesmo? Você queria dar o melhor para quem você amava e isso não é errado. Mas talvez o que as pessoas que te amavam queriam fosse apenas o seu amor, o seu tempo e não uma casa melhor ou mais dinheiro, mais comida. Mas isso você não soube enquanto era tempo. Porque o dinheiro e a comida podem acabar, mas o amor... O amor é eterno.
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