quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Mote

Aceito sangue, carnificina,
genocídio e muito mais.
Aceito tudo.
Se tudo for pela paz.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

De um amigo

São poucos amigos em que confiamos,
São raros os amigos que merecem essa confiança
São esses amigos que ficarão pra sempre,
Guardados de lembrança.
Seja você de qualquer idade,
Idoso , adulto ou criança.
São esse amigos que ainda lhe darão,
Algo que se chama esperança...

(Raí Barreto)

Eu gostei e está aqui.

Os sem voz

É certo que sabemos os problemas do mundo,os jornais não param de noticiar, é certo também que nos preocupamos com eles e nos comovemos ao ver imagens de pessoas mortas. Infelizmente isso acaba se tornando banal pra gente, porque vemos morte, mortes e mais mortes e nos acostumamos. Acomodamo-nos em saber das notícias ruins, comentar sobre elas e esquecê-las dentro de uma semana. Tudo ao nosso redor se torna insignificande e nos concentramos na órbita do nosso umbigo.

Venho falar pelos sem voz. Pelas crianças que morrerm todos os dias na calçada da sua rua, na África e nas favelas das megacidades. Então tu me perguntas: "Por que esse interesse todo nas crianças?" Talvez porque acredite que as crianças são o presente do mundo e a única esperança para o futuro, talvez porque as crianças não tenham maldade e tenham a cabeça aberta para tudo. Ou talvez simplismente porque as crianças saibam amar. Enfim, venho falar pelas milhões de crianças que morrem anualmente de fome, de doenças, que morrem pela sociedade e por suas mãos.

Existem crianças que fazem fila para pegar um pedaço de pão dormido, para que assim possam acalmar os gritos de fome. Existem crianças que dormem no asfalto frio sem nem ao menos ter uma mãe do lado que lhe aqueça, existem crianças que pedem a Deus para terem uma família ou um pouco de comida, existem crianças mundo à fora que não dormem com medo da morte, da fome, da miséria, e os que dormem sonham em quando acordar perceber que tudo não passou de um pesadelo, mas eles vivem esse pesadelo todos os dias.

Venho falar em nome da enorme massa invisível que ingoramos todos os dias e que todos os dias batem a nossa porta. Venho falar em nome das crianças que não tem o que comer, que nem beberam o leite das próprias mães. Venho falar em nome das crianças que se perguntam todos os dias se Deus tem um lugar pra elas no céu. Venho falar em nome das crianças que se matam em nome de uma religião, que colocam bombas nas roupas e acham que com isso vão ganhar um lugar no céu, pois elas estão fazendo a coisa certa, As crianças são incocentes. Venho falar em nome de todas as pessoas que morreram hoje sozinhas.

Poderia dizer mil coisas, falar em todas as línguas, mas isso de nada adiantará se você não entender as crianças ou se você não souber olhar as coisas sobre uma ótica diferente, com os olhos de um poeta ou de um revolucionário. Porque dizer que quer mudar o mundo é fácil, é muito fácil, mas pra mudar o mundo temos que ter atitudes e a primeira delas é enxergar o mundo.

Estamos tão acostumados em viver no nosso universo particular que esquecemos que existe um mundo lá fora e que nesse mundo prevalece uma realidade dura e cruel, onde as pessoas são tratadas como animais. Nesse mundo há violência, fome, miséria e elas constantemente estão presentes nas nossas vidas. No mundo em que vivemos dizemos que as crianças são o futuro do planeta, o futuro da nação, mas as nossas crianças estão morrendo e a gente não faz nada.
P.S: você já deve ter visto essa foto zilhões de vezes. O urubu espera a criança morrer para comer seu corpo. Essa foto sempre me choca e me revolta. Não sei, mas acho essa uma boa maneira de terminar.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Sobre os sonhos.

Desde pequenos planejamos, mesmo que inconscientemente, o nosso futuro. Dizemos que vamos ser médicos, astronautas ou bailarinas. Sonhamos com isso, e por sonhar demais quase acreditamos que aquilo é real. Fazemos milhões de planos impossíveis e acreditamos neles, porque quando se é criança tudo é possível. Depois, por volta dos sete anos, dizemos que a nossa melhor amiga vai ser a madrinha do nossos filhos, dividimos um sorvete com os amigos e brincamos de esconde-esconde e isso nos faz acrditar que seremos amigosdaquelas pessoas para sempre , e isso nos faz sorrir. Porque isso é a infância, acreditar que tudo seja simples, que tudo seja fácil e que tudo seja real. Na infância criamos nossos primeiros sonhos. Viajar para à lua, capturar uma estrela, participar de uma fita da Xuxa, encontrar fantasmas no banheiro da escola... Nada é impossível.

Então crescemos e deixamos de acreditar nos nossos, agora, idiotas sonhos de criança. Deixamos de acreditar que somos super heróis e passamos a sonhar com coisas mais possíveis, mas prováveis e menos divertidas. Passamos a ter nossos sonhos "sugados" pela realidade, e não nos sentimos incomodados com isso. Sonhamos em encontrar um grande amor, passar no primeiro vestibular, viajar o mundo, conhecer a casa da Julieta ou ir a um cabaré. Sonhamos com coisas realizáveis, mas mesmo assim elas nos parecem distantes porque não acreditamos inteiramente nelas. Perdemos o contato com os nossos amigos de infância, perdemos o contato com as "futuras madrinhas" dos nossos filhos, perdemos o contato com a parte mais pura da nossa vida, era só o que faltava depois de perder os sonhos.

Quando viramos adultos deixamos de acreditar em sonhos, porque sonhos são coisas pra crianças, agora somos pessoas sérias, com os nossos trabalhos sérios, uniformes, números e reuniões sérias até tarde. Somos pessoas ocupada que relaxam em bares, que se desestressam acabando com os pulmões. Somos pessoas ocupadas demais pra planejar o futuro, porque temos que fazer relatórios, temos de nos organizar e organizar as apresentações, marcar reuniões, encontrar novos contatos... Agora só temos planos, planos e mais planos. Planos são os sonhos que não acreditamos que vão se realizar e sempre adiamos. Temos o plano e ter filhos, casar, encontrar um emprego melhor... Planejamos o futuro e sempre adiamos. A gente poem na cabeça a ideia de que nossa vida toda foi pra ter esses planos e para realizá-los, se nos perguntarem quais são os nossos saberemos dizer facilmente, mas se perguntarem quando pretendemos realizá-los inventamos uma desculpa e mudamos de assunto. Então a gente pergunta quais são os planos dos nossos filhos e eles nos contam as coisas absurdas que sonham com brilho nos olhos, e o invejamos por eles terem a capacidade de acreditar nisso, invejamos as crianças e não fazemos nada para sermos um pouco mais parecidas com elas, porque hoje somos adultos e temos responsabilidades.

Talvez você case em Vegas, talvez você tenha filhos aos dezoito anos, talvez você seja presidente dos Estados unidos, talvez você seja jogador de futebol, talvez você seja fisico quântico, ou astronouta. Talvez você faça algo importante e ganhe o prêmio Nobel da paz, talvez não, talvez você morra aos vinte e cincos anos ou não. Talvez você encontre a metade da sua laranja... Talvez... Por enquanto é um talvez, mas se acreditarmos isso vira fato.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sobre o desconcerto do mundo.

Ligo a televisão e, no jornal, está passando a nóticia do pai que jogou a filha do sexto andar, mais um vez. Passa-se o choro da mãe, a comoção da população, a negação do pai, e tudo isso gera audiência e tudo isso causa espanto nas pessoas e tudo isso é esquecido meses depois. Mudo de canal, passa uma reportagem sobre cirurgias plásticas, sobre como fazer um implante de silicone perfeito e como perder aquela borda de catupiri que temos ao redor da cintura, e tudo isso me dá nojo, toda essa futilidade das pessoas, tudo que elas fazem para ter um corpo perfeito e como param de comer, como se submetem a cinco horas de cirurgia para por nos peitos coisas molengas. Então mudo de canal de novo e passa um noticiário sobre a destruição do homem e do planeta. Desligo a tv, pois não preciso desse noticiário para saber como o nosso planate tem andado e qual será o futuro dele. Saio pelas ruas.

Na primeira esquina vejo um homem pedindo esmola, todos passam por ele e o ignoram, como se em seu lugar houvesse um nada, como se ele não fosse um homem e sim um obstáculo no cominho do trabalho, do almoço ou da casa. As pessoas não veem mais as outras. Caminho e vejo uma réplica da mesma cena, milhões de pessoas dormem nas ruas sem ter o mínimo de higiênie ou saúde. Centenas de idosos dormem ao relento, dormem sobre o sol ou sobre as tempestades, dormem sem ter o que comer e escutam o ronco das barrigas de seus filhos à noites sem nada poder fazer, porque ninguém os ajuda, ninguém ajuda os obstáculos. Na orla da praia vejo uma aglomeração e vou ver do que se trata. Mais um pinguim que se perdeu e chegou ao litoral brasileiro. As pessoas ficam loucas querendo saber o que podem fazer para ajudar o pegueno pinguim idiota e ninguém se toca que do outro lado da rua havia um mendigo morto. Alguns até lhe lançam um olhar de desprezo, como se ele estragasse aquele momento sublime do pinguim. Porque as pessoas só se incomodam com aquilo que é distante, com o que não as atinge, com o que elas não veem todo dia.

Os pinguins nos comovem muito mais do que as crianças que pedem dinheiro no sinal. A fome da África é muito mais importante do que o menino do centro da cidade que morreu sem ter o que comer e as milhões de crianças que morrem no Brasil pelo mesmo motivo. A gente sempre gosta mais daquilo que não conhecemos bem, esse é o nosso mal.

Parece que a Terra está girando ao contrário, houve uma inversão de valores, as pessoas não respeitam as outras, nem respeitam a si próprias. A edução não é mais importante, em seu lugar o dinheiro é supervalorizado. Mas o dinheiro não compra respeito, nem caráter. O dinheiro pode impor medo, submissão, mas não há dinheiro no mundo que compre a maturidade. O amor deixou de ser importante para as pessoas, hojes elas só amam a si próprias e figem amar as outras. Parece que o mundo está regredindo, os homens se comportam como macacos e eu vejo o desconcerto do mundo. O mundo vira um inferno e queima as nossas vidas, e queima nossos sonhos. E nós queimamos nosso dinheiro.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Sobre as crianças

Se você pensar bem todo mundo tem dias ruins. Todo mundo tem problemas, calos nos pés, sonhos impossíveis na cabeça, dor nas costas, enxaqueca, problemas e coração partido, só a criança não tem. Porque é nessa fase, a mais sublime da vida, que acreditamos que podemos fazer tudo, que não sabemos o que é amor e que nunca temos problemas, pois não paramos pra pensar neles.

Pensando bem, todo mundo tem dias ruins, vontade de tomar um porre, vontade se explodir o mundo e cometer todos os erros do mundo antes de morrer. Todo mundo tem os sete pecados em si, só a criança não tem.

Todo mundo tem medo de morrer, medo do fim do mundo e da violência, a criança não tem. Porque os ataques terroristas são menos assustadores que o bicho papão, o boi da cara preta e o homem do saco.

Porque nunguém mais tem paciência para ouvir os contos de fadas e as histórinhas, por isso só as crianças sabem o verdadeiro valor que as coisas tem, só elas sabem apreciar o que realmente é belo. Só as crianças conseguem rir quando não se faz nada engraçado.

Mas existe uma coisa chamada tempo, e esse tempo faz as crianças crescerem e se tornarem adoslecentes que descobrem o que é paixão, que na verdade eles PENSAM ser amor, descobrem que existem outras histórias, que não contos que fadas, histórias que não tem nada a oferecer além de obscenidade, sexo, drogas e rock'n'roll. Eles deixam de ver as coisas belas para ver jornais, mortes e a vizinha ao lado. Conhecem o mundo e esquecem do universo que eles imaginaram existir em baixo da cama e se tornam mais uma pessoa igual num mundo igual.

Quando crescem, as crianças criam ideias sobre tristeza e alegria que não existiam antes e a tristeza ocupa o lugar que antes pertencia só à alegrias. Os sonhos que antes eram com pilhas de sorvete se transforam em sonhos com namorados. Perde-se o tempo para prestar antenção em coisas simples e achar beleza nelas, assim nossos adolescentes viram adultos frios, que perderam o dom do riso. E assim se vai mais uma geração de sonhos afogados pelo sistema.

Por favor adultos, sejam crianças de novo.

Não falo na intenção de não termos responsabilidades, mas só peço para não nos tornarmos escravos delas.

domingo, 12 de setembro de 2010

sábado, 11 de setembro de 2010

Sobre boas maneiras

 Todos querem que você seja sempre sorrisos o tempo todo, querem que você seja educada, tenha boas maneiras, trate os outros bem, faça perguntas educatas e mantenha um diálogo fluente para não pensarem que você é antipática. Todos lhe combram regras de boas maneiras. "Não mastigue de boca aberta!", "Feche as pernas, menina! Mocinhas sentam com as pernas cruzadas!", "Não ria alto demais", "Não fale demais, escute os outros", "Não ponha muita comida no prato", "Não faça cara feia. E dai que você não gosta?" "Não faça isso, não faça aquilo... blablablá...."

Mas ser feliz o tempo todo cansa. Ninguém é simpático ou educado sempre.Às vezes as pessoas explodem, falam palavrão, xingam o mundo. Às vezes tudo que a gente quer é explodir o universo e pegar um lugar na primeira fila para ver o show que vai ser quando ele estiver acabando. Às vezes a gente simplismente não quer falar com os outros para não gritar, às vezes a gente fica triste, mas, às vezes, as pessoas não entendem. Para falar a verdade, elas , quase, nunca entendem.

E se um dia você não sorri já comentam: "Você está muito chato hoje!" ou então "O que aconteceu? Você tá triste?". 'Não, eu tenho vida, sabe? E não sou uma máquina, minha vida não é um livro de histórias infantis no qual tudo dá certo e o desenho é sempre com um sorrisinho' você pensa mais não diz.Então você diz que não é nada ou inventa uma desculpa qualquer para essas mesma pergunta que se repete mil vezes ao dia.

Seria realmente ótimo se nós tivessemos um botãozinho que ligasse a felicidade, mas não temos. Ficamos putos, putos com a família, com o mundo, o gaverno, a televisão, o aquecimento global, a fome, a falta de dinheiro, as catástrofes ambientais, com o governo denovo. Sim, ficamos putos, revoltados porque somos humanos, por mais que muitas das vezes esqueçamos isso.

Não vou deixar de sentar com as pernas abertas, não vou rir baixo, não vou manter um diálogo com quem eu não acho interessante somente por educação. Eu vo continuar a mastigar de boca aberta, vou falar alto e bastante só para irritar. Eu não sou um bom exemplo e não quero que as crianças se inspirem em mim, eu só quero ser eu mesma.

Às vezes tenho vontade de mandar todo mundo que manda eu ser educada se danar, mas sou educada demais para fazer isso.

Inutilidade

Eu escrevo para expressar os sentimentos, as confusões e os dilemas que existem em mim. Escrevo para espantar meus monstros imaginários e para trazer para perto tudo aquilo que sempre me parece tão irreal. Escrevo sobre as coisas que eu não acredito para poder entendê-las um pouco mais. Escrevo sobre o que considero real e certo para tentar convecer as pessoas a acreditarem em mim.

Queria poder ter a capacidade de comover as pessoas com as palavras,  fazer elas refletirem um pouco sobre quase tudo, passar emoções através de letras, textos. Queria poder abrir minha mente para o mundo, para que pudessem ver o que eu penso, para entenderem como eu me sinto e como entendo as coisas. Mas percebo que eu não consigo isso, parece que não tenho essa capacidade e que tudo soa irreal, distante, como se eu falasse sobre um mundo fictício que só existe dentro da minha mente, que só eu pudesse ver e o que as pessoas veem são só as sombras dele.

Talvez as pessoas nunca venham a me entender, talvez eu seja realmente complicada e meus pensamentos sejam muito rápidos e por isso não consiga me expressar bem. Talvez eu não tenha o dom da escrita, talvez eu não consiga escrevertão bem quanto queira. Mas eu sempre vou tentar. Tentar não é conseguir, mas é o início para a vitória.

Percebo que acabo de escrever um texto inútil.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Sobre as coisas

Porque as coisas mais importantes da vida não podem ser medidas, nem contadas, não se pode por rotulos nelas. As coisas mais importantes não se compram nas lojas, elas não tem preço, não vem em caixinhas ou embalagens bonitas, não não podem ser produzidas por máquinas. Talvez por isso seja tão dificil encontrá-las. Talvez por isso quase ninguém as tenhas.

As coisas mais bonitas são aquelas que nos fazem feliz, que nos ensinam alguma coisa, que nos fazem sorrir às três da madrugada. Um sorriso, uma brincadeira, uma mensagem noturna que esconde segredos, um amigo, um beijo, milhões de beijos, abraços, a felicidade, o companheirismo, o amor, o encantamento dos olhares, a preocupação, a ansiedade, a loucura, a paz, o pensamento, o medo.

Sim, porque até no medo há uma beleza impagavel, o medo nos ensina que ainda somos humanos, que ainda temos que superar muita coisa e que ainda temos muito que aprender com o mundo. É bom quando o mundo dá um "sacode" na vida da gente, porque ai temos que começar tudo de novo, temos de rever nossos conceitos e perceber que precisamos melhorar, evoluir, precisamos ser mais humanos muitas das vezes. Medo é bom, ruim é o medo de ter medo.

Porque ninguém pode comprar o por-do-sol. Ninguém compra os dias, ninguém pode comprar o orgulho, ou talvez até posso se a péssoa não tiver amor próprio e pouco dinheiro. Ninguém compra a felicidade, um sorriso, ninguém compra o amor. Amo a tragédia porque ela é bela. A tristeza nos ensina muito mais que a alegria e ninguém compra o que se aprende com a vida. Porque para falar a verdade ninguém paga para viver. Ninguém pode comprar um segundo a mais de vida, mais um batimento, mais um dia.

É bom ter saudades, é bom ter alguém pra você conversar, é bom ter um amigo, é bom até ter inimigos que é pra você não deixar de duvidar das pessoas. É bom silenciar um pouco e escutar apenas a sua cabeça, ou seu coração, você decide. Porque o silêncio é raro, mas é uma das coisas mais belas.

As coisas mais bonitas são as mais simples, mas geralmente as coisas mais simples são as mais difíceis de se ver, pois nossos olhos estão acostumados à grandes espetáculos e coisas grandiosas.

"Só se pode ver bem com o coração." (O pequeno príncipe)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sobre o que eu acredito.


Eu gasto muito tempo pensando em coisas que nunca poderão acontecer. Eu gasto tempo com suposições e imaginando como será o futuro. Penso em como vai ser o fim do mundo, como vai ser amanhã, quem eu vou ver daqui a um mês, em como será o mundo que meus bisnetos vão viver e qual será a cor do céu na hora que Deus vier. Eu imagino coisas impossíveis e me pergunto “por que não?”.

Eu acredito em contos de fadas, acredito que uma pessoa possa encontrar seu verdadeiro amor aos sessenta anos, acredito que o mundo vai sobreviver a nossa era, acredito que vai ficar tudo bem e que ainda seremos muito felizes. Eu acredito no poder das palavras, muito mais que no poder de um canhão ou de uma bomba atômica.

Quando eu era pequena eu sonhava em ter algum super poder ou coisa do tipo. Queria voar como o super homem, combater o crime como os Power Rangers, poder ler mentes, ser bruxa como o Harry Potter ou poder explodir coisas com a mente. O que eu queria mesmo era que as pessoas se lembrassem de mim, queria ser importante, queria salvar o mundo.

Foi então que veio uma coisa chamada tempo. Esse tempo me fez crescer, esse tempo me ver as coisas, um pouco, mais claramente, esse tempo fez com que eu deixasse de ser uma criança que acreditava nos heróis com roupas coloridas, esse tempo me ensinou que existe um mundo real, esse tempo me ensinou que super poderes não existem na vida real. Foi então que eu descobri o poder das palavras.

Existiu um homenzinho estranho que quase conseguiu envolver o mundo todo com suas palavras, esse homenzinho de bigode esquisito conseguiu por suas palavras em todas as cabeças de uma nação, ele escondia todos seus objetivos podres por trás de palavras bonitas. Foi aí que eu vi como as palavras movem o mundo, movem o homem, como as palavras podem mudar você.

Pela palavra “poder” muitos homens se matam e se perdem. Pela palavra “vitória” muitos homens morreram para trazê-la ao seu povo. Pela palavra “justiça” muita gente foi morta por tentar fazer com que ela existisse, todos que tentaram morreram e hoje, em homenagem a essas pessoas, a gente finge que ela existe. “Paz”, eu acho que essa é a palavra que todos querem trazer a realidade, todos querem tirá-la do papel, mas existe uma expressão, “deixa pra depois”, que sempre adia tudo. Existe uma palavra, a “guerra”, que apareceu várias vezes na nossa história e que, em um campo de batalha, ela prevalece até o último soldado cair morto, com o uniforme de sua pátria.

Talvez o mundo venha a se acabar em fogo, como era previsível pelo nosso passado. Talvez todos os nossos pesadelos nos aguardem daqui a alguns anos e milhões de demônios venham gritar palavras de agonias em nossos ouvidos. Talvez as velhas profecias se cumpram. “Deus” sempre pronuncio Esse nome ao pensar no futuro. Sempre olho para o céu na esperança de encontrar Ele olhando aqui pra baixo com uma cara de preocupação, mas ele nunca está lá. Eu acredito que uma das palavras mais fortes que existe é “Fé”, são duas letras capazes de mover montanhas. Fé é toda a certeza que dispensa provas, é tudo aquilo que se pode crer sem precisar que um professor explique. Eu creio porque é absurdo.

Talvez daqui a algum tempo eu deixe de acreditar no poder das palavras, deixe de acreditar que elas movem o mundo e que a palavra “ódio” um dia possa explodir o universo inteiro pelos ares ou talvez eu creia nisso até a minha morte. Mas isso são apenas suposições e por enquanto eu sou apenas uma pessoa, que não sabe se é criança ou mulher, que acredita poder mudar o mundo escrevendo e falando sobre coisas que considera importante, sobre coisas que podem mudar o curso da história ou não. Por enquanto eu apenas sonho, amanhã eu faço.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sem título


Tudo parece estranhamente familiar. Por algum motivo sinto vontade de sorrir. São as mesmas ruas da infância, os mesmos cheiros, o mesmo céu azul e infinito sobre as nossas cabeças. Eu sempre volto para esse lugar. Tudo sempre me puxa para aqui. A velha cozinha na casa de mamãe, o porta-retrato quebrado em cima do armário, o cheiro de mofo no sofá.
Parece que estou vivendo embaixo d'água. Tudo parece passar devagar, as imagens são embaçadas, os sons estão distantes. Parece fazer um século desde à última vez que vi o mundo real. Não sei que dia é hoje, não sei se é sexta, talvez o bolo tenha queimado no forno, talvez você esteja velha, talvez meu correio esteja cheio e esteja chovendo. Que horas são?

Hoje resolvi deixar minha consciência em casa. Enquanto andava pelas ruas percebi que o sol gritava porque as nuvens queriam cobrí-lo, percebi que os prédios me impediam de ver Deus e que havia uma criança morta na porta do hospital. Hoje percebi que sou uma ilusão, um sonho, um personargem mal feito na cabeça de um escritor gordo e de uma história inacabada. Hoje meu grito ecoou na cidade vazia onde eu queria morar e onde meus amigos morreram.

O mundo  matou os meus sonhos e roubou minha alegria e hoje eu vivo só no mundo que eu criei.



P.S: Sei que esse texto está meio sem sentido, mas depois de um sonho eu escrevi isso, gostei e então está aqui.

Agora

Neste momento alguém comemora a primeira cirurgia plástica, os bares estão repletos de homens vazios, meninas se prostituem na praia, um casal de velhos se beija, um rico se mata, um pobre passa fome, um prédio novo este sendo construído, o mundo está sendo destruído.


Neste momento um ladrão encontra Deus, um menino vê a face do demônio, uma mulher apanha e cala, um homem vira mulher, um padre desvia dinheiro da igreja, queimam-se cartas de amor velhas, um mendigo morre.

Neste momento há um divorcio, um casamento, um feto em fase de crescimento, o menino consegue a primeira namorada, acontece um acidente causado por excesso de bebida, os velhos planejam a guerra, os hippies fumam um baseado, os adolescentes sedentários estão dormindo, os gays querem mudar o mundo.

Neste momento há uma mãe com o corpo frio de seu filho junto a seu peito, alguém chora, um presidiário está sorrindo, uma mulher perde tudo no jogo, nasce uma criança, alguém espera a maldita sorte lhe puxar pela mão e lhe tirar para dançar, um menino de seis anos leva um tiro na cabeça, a menina que o ama está sonhando com ele.

Neste instante alguém se pergunta “O que é a vida?”, um obeso come salada, uma menina vomita por causa da bulimia, um velho morre de fome, um urubu come seu corpo, alguém encontra o grande amor, alguém perde o ser amado, um moço morre atropelado, uma velha é violentada, um funeral acontece, os jovens planejam o carnaval, um grito de Deus ecoa no mundo surdo.

De alguma forma você sabe, e eu sei, que todas essas vidas diferentes se cruzam de uma forma ou de outra. A gente às vezes se sente tão só no meio de tanta gente e acha que a nossa vida é mais importante quando não é. Todas tem a mesma importância. Às vezes pensamos ser superiores e donos do mundo, mas às vezes temos de descer do nosso trono imaginário e nos colocarmos no nosso lugar, o mesmo que o dos outros, às vezes até em baixo de todo mundo. Existe tanta tange no mundo, tantas almas desesperadas, tantos idiotas e tantos gênios.

Sobre o que nos revolta.

  Quando eu era menor me diziam que qualquer pessoa poderia se tornar presidente, hoje eu começo a acreditar nisso.
  Os impostos pagos, todo o dinheiro que damos para o gaverno com o intuito de educar as crianças mais pobres que nós, de dar comida aos miseráveis, de dar assistência aos sem condições é tomado por corruptos, enfiado em suas cuecas e paga as viagens das familias deles.
  Enquanto milhões de brasileiros vivem na rua e enfiam o nariz no vidro dos nossos carros quem deveria governar o nosso pais viaja de jatinho para longe da miséria do Brasil.
  Todos os politicos prometem melhorias, construções de escolas, trabalho, segurança... Mas isso atinge a todos? A cada quatro anos vejo reprises do horário eleitoral passado. Nunca há promessas novas, e cada vez mais os politicos pensam que os trinta segundos que eles tem é para fazer um show de comédia. É certo que o Brasil não é um país sério, mas também não é um país de idiotas.
   Enquanto eles fazem promessas e mais promessas as crianças continuam à me pedir dinheiro nos semáforos e dormir em baixo de pontes ou na calçada das casas. Enquanto as promessas são feitas milhões de brasileirinhos continuam com a barriga cheia de fome e as cabeças sem educação. Por mais que existam escolas públicas, o ensino é da pior qualidade e as crianças vão para à escola sem comer. E até onde eu saiba, alimento para cabeça não mata fome.
   De quatro em quatro anos eu tenho a esperança de melhorias, e de quatro em quatro anos eu percebo que o Brasil está fadado a decadência.


P.S: Hoje comemoramos porque nos tornamos independentes de Portugal e começamos nossa dependência com a Ingleterra e os USA.

domingo, 5 de setembro de 2010

Quase inacreditável.

Eu não acredito em amor a primeira vista, não acredito em contos de fadas, ou em encontros que acabam à meia noite, talvez  nem acredite no amor.Podem dizer que eu não tenho coração e que só digo isso porque nunca me apaixonem. Talvez eu não tenha mesmo coração, talvez ele esteja enferrujado ou talvez tenho sido roubado um ano atrás. Perdoem se minha sinceridade assusta, mas aprendi que não devo mentir sobre o que acredito e que a pior mentira é mentir para si mesmo.

   Eu detesto romances, me dá vontade de vomitar ler sobre amores impossíveis e que superam a morte, seja lá o que mais, mas que na verdade só existem ali na ficção. Não digo que o amor não exista, não me julguem mal. Eu até acredito que ele posso acontecer, se você estiver casado à sessenta anos com a mesma mulher e quando olhar para ela ainda vir a menina por quem se apaixonou anos atrás, acho essa ideia realmente bonita e tudo mais, até mesmo sonho com ela. Talvez eu não acredite no amor para mim. Talvez eu tenha medo do amor, medo de me entregar e de depois ter o coração partido.
   O que me assusta no amor é você ter que se "entregar" à alguém, é sentir-se ligada à uma pessoa e depois isso acabar e o que sobra são apenas os pedaços de dois corações partidos. Isso é o que me assusta. Eu sei que é melhor ter a felicidade por um tempo e depois deixá-la do que nunca tê-la. Mas para mim todo amor é eterno e se não é eterno não é amor. Talvez por isso eu não acredite no amor para adolescentes, acho que eles, nós, podemos nos apaixonar, mas amar... Amar é para adultos.
   Com o tempo o coração de algumas pessoas endurecem, ficam de ferro e enferrujam ao longo dos anos e o de outras aquece ao ponto de que se alguém conseguir tocá-lo ele derrete sobre suas mãos. Eu realmente queria que o meu não enferrujasse, mas isso parece inevitável.
   Eu queria acreditar em contos de fadas, nas princesas indefesas que esperam que o príncipe venha para salvá-la e tudo mais. Mas na vida real não existem príncipes e se existem eles não virão lhe buscar porque estão ocupados demais vendo o jogo na televisão.
   Há muito tempo atrás eu me apaixonei, dei meu coração a alguém que disse que ia guardá-lo junto ao dele, então ele foi embora e não devolveu o meu coração. Hoje ele está quebrado e eu nem posso juntar os cacos. Talvez por isso eu não acredite nesse amor que todos sonham, porque eu não tenho mais coração, não posso ouvi-lo, então só escuto a minha cabeça e o amor é irracional, o amor não é pensado, você só sente.


"Isto é amor? usar uma pessoa? Então talvez o ódio seja não conseguir usá-la" (Gore Vidal)

O início

   Certo, sei que o início é sempre tenso e sempre me pergunto como vai ser depois. Se alguém vai ler, se alguém vai se importar, se ,um dia, alguém vai mostrar isso para os amigos e se alguma das minhas palavras futuramente vão ser lembradas, repetidas ou até mesmo roubadas pelo sem criatividade.
   Sei que chega a ser brega e até mesmo meio errado e feio pensar assim, mas meu sonho é mudar o mundo com as palavras. Não só com as palavras, claro, sou sonhadora, não burra.
   Sim, é no início que fazemos as apresentações, pois bem: Eu sou Fernanda, tenho catorze anos, a cabeça cheia de sonhos, os bolsos vazios e a cabeça sempre cheia de informações, muitas das quais são completamente inúteis. Nunca fiz nada do qual me orgulhasse, nem que desse orgulho aos meus pais. Não sei escrever direito, não me preocupo muito com o futuro, como muitas besteiras e odeio programas de auditório. Tenho um gazilhão de apelidos e constantemente falo "cagou no pau" não sei se isso é um palavrão, se sim, perdoem-me senhores, mães e crianças que estão lendo isso. E se ninguém ler, perdoe-me Fernanda boa.
    Não escolhe esse nome "bunda de velha" por algo poético ou por alguma grande experiência, escolhi porque acho legal, então se isso acabou com alguma expectativa, desculpem-me novamente. Eu sempre estou pedindo "desculpas". Eu me importo demais com o mundo, com as pessoas, com os outros e a guerra do Iraque, a fome na África e esqueço de mim. Tenho milhões de Fernandas na minha cabeça e quando elas começam a falar todas de uma vez parecem um bando de peruas loucas numa feira da 25 de Março em Dezembro, então eu não entendo nada ai minha cabeça não funciona direito e eu cago no pau. Por isso deixei de escutar as mil e uma Fernandas e passei a ser uma nova, que é quase todas elas, mas numa só, e que talvez só tenha pego o pior de todas.
    Tenho em mim todos os sonhos e talvez todos os pecados do mundo. Eu assusto as velhinhas, sou um mal exemplo para as crianças e nunca penso muito nisso, pois quando penso começo a me preocupar.
    Estou lhe entediando em tanto falar de mim, de mim, de mim. Mas você também é humano e entende esse egocentrismo. Desculpem. Me calo e falo sobre coisas mais importantes.