quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Sobre os sonhos.

Desde pequenos planejamos, mesmo que inconscientemente, o nosso futuro. Dizemos que vamos ser médicos, astronautas ou bailarinas. Sonhamos com isso, e por sonhar demais quase acreditamos que aquilo é real. Fazemos milhões de planos impossíveis e acreditamos neles, porque quando se é criança tudo é possível. Depois, por volta dos sete anos, dizemos que a nossa melhor amiga vai ser a madrinha do nossos filhos, dividimos um sorvete com os amigos e brincamos de esconde-esconde e isso nos faz acrditar que seremos amigosdaquelas pessoas para sempre , e isso nos faz sorrir. Porque isso é a infância, acreditar que tudo seja simples, que tudo seja fácil e que tudo seja real. Na infância criamos nossos primeiros sonhos. Viajar para à lua, capturar uma estrela, participar de uma fita da Xuxa, encontrar fantasmas no banheiro da escola... Nada é impossível.

Então crescemos e deixamos de acreditar nos nossos, agora, idiotas sonhos de criança. Deixamos de acreditar que somos super heróis e passamos a sonhar com coisas mais possíveis, mas prováveis e menos divertidas. Passamos a ter nossos sonhos "sugados" pela realidade, e não nos sentimos incomodados com isso. Sonhamos em encontrar um grande amor, passar no primeiro vestibular, viajar o mundo, conhecer a casa da Julieta ou ir a um cabaré. Sonhamos com coisas realizáveis, mas mesmo assim elas nos parecem distantes porque não acreditamos inteiramente nelas. Perdemos o contato com os nossos amigos de infância, perdemos o contato com as "futuras madrinhas" dos nossos filhos, perdemos o contato com a parte mais pura da nossa vida, era só o que faltava depois de perder os sonhos.

Quando viramos adultos deixamos de acreditar em sonhos, porque sonhos são coisas pra crianças, agora somos pessoas sérias, com os nossos trabalhos sérios, uniformes, números e reuniões sérias até tarde. Somos pessoas ocupada que relaxam em bares, que se desestressam acabando com os pulmões. Somos pessoas ocupadas demais pra planejar o futuro, porque temos que fazer relatórios, temos de nos organizar e organizar as apresentações, marcar reuniões, encontrar novos contatos... Agora só temos planos, planos e mais planos. Planos são os sonhos que não acreditamos que vão se realizar e sempre adiamos. Temos o plano e ter filhos, casar, encontrar um emprego melhor... Planejamos o futuro e sempre adiamos. A gente poem na cabeça a ideia de que nossa vida toda foi pra ter esses planos e para realizá-los, se nos perguntarem quais são os nossos saberemos dizer facilmente, mas se perguntarem quando pretendemos realizá-los inventamos uma desculpa e mudamos de assunto. Então a gente pergunta quais são os planos dos nossos filhos e eles nos contam as coisas absurdas que sonham com brilho nos olhos, e o invejamos por eles terem a capacidade de acreditar nisso, invejamos as crianças e não fazemos nada para sermos um pouco mais parecidas com elas, porque hoje somos adultos e temos responsabilidades.

Talvez você case em Vegas, talvez você tenha filhos aos dezoito anos, talvez você seja presidente dos Estados unidos, talvez você seja jogador de futebol, talvez você seja fisico quântico, ou astronouta. Talvez você faça algo importante e ganhe o prêmio Nobel da paz, talvez não, talvez você morra aos vinte e cincos anos ou não. Talvez você encontre a metade da sua laranja... Talvez... Por enquanto é um talvez, mas se acreditarmos isso vira fato.

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