terça-feira, 7 de setembro de 2010
Sem título
Tudo parece estranhamente familiar. Por algum motivo sinto vontade de sorrir. São as mesmas ruas da infância, os mesmos cheiros, o mesmo céu azul e infinito sobre as nossas cabeças. Eu sempre volto para esse lugar. Tudo sempre me puxa para aqui. A velha cozinha na casa de mamãe, o porta-retrato quebrado em cima do armário, o cheiro de mofo no sofá.
Parece que estou vivendo embaixo d'água. Tudo parece passar devagar, as imagens são embaçadas, os sons estão distantes. Parece fazer um século desde à última vez que vi o mundo real. Não sei que dia é hoje, não sei se é sexta, talvez o bolo tenha queimado no forno, talvez você esteja velha, talvez meu correio esteja cheio e esteja chovendo. Que horas são?
Hoje resolvi deixar minha consciência em casa. Enquanto andava pelas ruas percebi que o sol gritava porque as nuvens queriam cobrí-lo, percebi que os prédios me impediam de ver Deus e que havia uma criança morta na porta do hospital. Hoje percebi que sou uma ilusão, um sonho, um personargem mal feito na cabeça de um escritor gordo e de uma história inacabada. Hoje meu grito ecoou na cidade vazia onde eu queria morar e onde meus amigos morreram.
O mundo matou os meus sonhos e roubou minha alegria e hoje eu vivo só no mundo que eu criei.
P.S: Sei que esse texto está meio sem sentido, mas depois de um sonho eu escrevi isso, gostei e então está aqui.
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